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Arte e Redução de Danos: um estudo qualitativo na área de drogas

O nosso objetivo nesta seção é contribuir com a aprendizagem da pesquisa qualitativa e, sua aplicação prática, servindo como um guia para aqueles que estão no processo de conhecimento, formação e aprimoramento nessa temática. Nesta ocasião, apresentamos o estudo sobre a Arte e Redução de Danos, articulando a pesquisa com a área da saúde.

Os artigos científicos se acompanham de um breve roteiro reflexivo de leitura, bem como as respostas elaboradas para orientar a análise dos textos, a fim de ampliar sua compreensão sobre os aspectos teóricos e metodológicos da pesquisa qualitativa.

Arte e Redução de Danos

Rosado, T. M., Oliveira, L. M. L., & Rameh-de Albuquerque, R. S. (2025). Arte e Redução de Danos: análise qualitativa de grupo focal com pessoas que usam drogas. Revista Psicologia Política, vol. 25. e24409. https://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpp/v25/1519-549X-rpp-25-e24409.pdf

Resumo

Este estudo trata de uma pesquisa qualitativa que objetiva compreender de que forma a arte contribui para a reinserção social de pessoas usuárias de drogas. A pesquisa foi realizada no âmbito do Projeto do Grupo Fábrica Fazendo Arte, em Recife. Ao abordar a temática do uso de drogas, se destaca a articulação entre a arte e o paradigma da Redução de Danos, constituindo uma estratégia de cuidado e de atenção à saúde baseada nos direitos humanos.

Além disso, o artigo utilizou como técnica qualitativa de coleta de dados o grupo focal e, para a análise dos dados, recorreu à análise de conteúdo de Bardin. O estudo conclui sobre as potencialidades da arte para a interação social e a redução do estigma associado aos usuários de drogas.

Guia e Reflexões sobre o artigo

1. Qual é o tema da pesquisa? Como se justifica a escolha do tema?

O tema da pesquisa é a arte como recurso terapêutico para promover a reintegração social de pessoas usuárias de drogas em contexto de vulnerabilidade social. Além disso, os autores articulam a estratégia de redução de danos com o objetivo de construir um espaço de trabalho em grupo baseado na cidadania. Dessa forma, essa alternativa de atendimento em liberdade se baseia no respeito aos direitos humanos, de modo a reduzir o estigma associado ao uso de drogas.

A proposta baseada na arte visa criar um espaço seguro para o fortalecimento dos laços familiares e comunitários e a expressão emocional. Por sua vez, aborda a relação com o uso de drogas a partir de temas como a criatividade, a autonomia, entre outros aspectos mais abrangentes e transversais à problemática do uso de drogas.

O tema se justifica, uma vez que houve um avanço significativo após a Reforma Psiquiátrica, que propõe o cuidado e a atenção à saúde por meio de dispositivos que favoreçam o trabalho com a comunidade e estejam abertos à sociedade, sem excluir os indivíduos internados nas instituições.

Com base nessas diretrizes, por exemplo, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) sustenta que as oficinas terapêuticas se enquadram nos recursos da arte e podem ser implementadas para o desenvolvimento integral das pessoas, utilizando estratégias como a dança, a pintura, o teatro, as atividades musicais, etc.

2. Quais são os objetivos do estudo?

O estudo investigou de que maneira a arte contribui para a redução de danos e a reinserção social de usuários de drogas em contexto de vulnerabilidade social.

3. Quais são as principais características metodológicas do estudo? Como os pesquisadores selecionaram os participantes?

A pesquisa adotou um desenho qualitativo e transversal, uma vez que a coleta de dados foi num único momento do estudo, em setembro de 2021. Os participantes eram usuários ou ex-usuários de drogas, com comportamentos de consumo de risco. A amostra foi composta por 6 participantes, maiores de 18 anos e que frequentavam regularmente as oficinas.

Um aspecto fundamental que aborda o estudo é o anonimato dos participantes, utilizando nomes ficticios, em conformidade com os princípios éticos da pesquisa envolvendo seres humanos. Esse cuidado é essencial em pesquisas que trabalham temas relacionados com situações de vulnerabilidade e uso de drogas.

Em primeiro lugar, o acesso aos participantes ocorreu por meio do Projeto Fábrica Fazendo Arte, uma iniciativa não governamental em Pernambuco, que segue as diretrizes de atendimento em liberdade.

Os pesquisadores convidaram os participantes para as atividades e se apresentaram por meio do projeto Fábrica Fazendo Arte. A equipe administrou questionários antes da realização do grupo focal para identificar as características sociodemográficas dos participantes.

4. Como a equipe conduziu o grupo focal? Como os autores analisaram os dados produzidos?

O grupo focal teve como objetivo explorar e compreender os comportamentos e as atitudes dos participantes em relação a suas experiencias de participação no projeto.

O grupo focal realizou-se com 6 participantes em uma sala onde se desenvolveram as atividades do projeto, com duração de 1h30. O recurso da gravação se utilizou com prévio consentimento dos participantes. No entanto, os autores não especificam quais foram os eixos temáticos abordados.

Durante o processo de análise dos dados, se procedeu com a transcrição dos discursos e, a implementação das três fases da análise temática de Bardin. A primeira fase corresponde a uma pré-análise; a partir da leitura flutuante dos dados, observam-se indicadores e informações significativas que permitem organizar o material. A segunda fase envolve a seleção de unidades de análise, ou seja, frases e conteúdos semelhantes ou diferentes que possam constituir uma categoria de análise. A terceira fase consiste na análise por meio do uso do marco teórico ou de referências que contribuam para a interpretação dos dados obtidos.

5. Quais são os principais resultados ou categorias do estudo?

O estudo permite observar claramente como os dados qualitativos são organizados e apresentados. Os autores organizaram os resultados em três categorias. Assim, os pesquisadores apresentam a definição teórica da categoria elaborada e, posteriormente, como ela se manifestou na prática, a partir de trechos das entrevistas realizadas que ilustram o que foi interpretado em cada categoria.

5.1. Experiência com a redução de danos

A categoria “Experiência com a redução de danos” mostra que o projeto se alinha às práticas de redução de danos nas experiências cotidianas de cuidado dos usuários, destacando a não exigência da abstinência.

5.2. A arte na redução de danos

Na categoria seguinte, “A arte na redução de danos”, vale a pena citar o seguinte trecho do texto:

“o termo utilizado por Girassol, participante do grupo focal, no relato elucidado: “teatro-denúncia”. Este termo é necessariamente político, pois comunica-se algo para além do conto: a vida vivida pelos próprios participantes” (p.10).

Dessa forma, a arte se apresenta como uma ferramenta de expressão não apenas corporal, mas também da subjetividade e dos modos de vida dos sujeitos.

5.3. Reintegração social por meio do Projeto Fábrica Fazendo Arte

De acordo com o estudo, a terceira categoria foi dividida nas seguintes subcategorias: Autonomia da pessoa que usa drogas e Rede de apoio. Essas subcategorias foram incluídas porque evidenciam de forma mais específica as informações sobre a categoria mais geral.

A categoria “Reinserção social por meio do Projeto Fábrica Fazendo Arte” apresenta, por um lado, o processo de reconstrução de suas atividades laborais, familiares e comunitárias, se referindo a autonomia do sujeito. Por outro lado, o fortalecimento dos laços e o cuidado dentro do grupo do projeto diante de situações de recaídas e momentos difíceis, configurando as redes de apoio que serviram de base para a reinserção social.

Convidamos a leitura do artigo na íntegra, uma vez que constitui um material útil para a organização e apresentação de dados qualitativos e sua articulação teórica, visando uma melhor compreensão das informações.

Conhecendo os autores

THAÍS MULATINHO ROSADO
https://orcid.org/0009-0000-2525-6967
Graduada em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), Psicóloga do IMIP – Instituto de Medicina Integral. Professor Fernando Figueira. Recife/Pernambuco, Brasil.

LARISSA MONTEIRO LOPES DE OLIVEIRA
https://orcid.org/0009-0004-6286-8793
Graduada em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). Psicóloga Clínica, Recife/Pernambuco, Brasil.

ROSSANA CARLA RAMEH-DE-ALBUQUERQUE
https://orcid.org/0000-0002-5273-1476
Doutora em Medicina Preventiva/Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo, Recife/Pernambuco. Psicóloga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE); Pesquisadora do Grupo de Estudos sobre Álcool e outras Drogas da Universidade Federal de Pernambuco (Gead/UFPE); Supervisora Clínica do Tessituras Psicologia e Saúde; Supervisora do CECAF.

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